NÃO ME CONSERVEM FIOS DE CABELOS - poema de Thiago Medeiros
NÃO ME CONSERVEM FIOS DE CABELOS
do primeiro sonho
aos três anos de
idade
em pé
na beira do prédio
num corpo adulto
um prédio como
tantos embora vi
vesse numa casa
aos pés do prédio
concreto pressa
meio fio ratazanas
- transeuntes é
uma palavra
horrenda –
e
sim
um salto
entre o alto do prédio
e o concreto apenas
vento
e
uma
frase
agora
só me resta
esperar
e
esperar
e o caminho
de vento
assanhando os cabelos
recorda as mãos
esticadas acima
da cabeça
em pressa para
alcançarem o
chão primeiro
antes que todo
o resto do
corpo
desde então
janelas e
alturas
sussurram
todos os
dias
e
já tem
o corpo adulto
da
queda
e
lembra
como o vento
assanhava
os
cabelos
então
raspa
a cabeça
semanalmente
sempre haverá
chamado das
janelas e alturas
sempre haverá
um convite
para a queda
mas não me
cabem entregas
ao menos de uma
parte
não me levarão
por inteiro
pois deixarei no
mundo ao menos
os fios dos meus
cabelos
***
Thiago Medeiros é pernambucano de Caruaru. Escritor e agitador cultural. Idealizador
do Encontro Literário Letras Em Barro e da Oficina Levante Literário. Publicou o livro
de contos Claro É O Mundo À Minha Volta, pela Editora Patuá. Organiza, junto ao
poeta Andri Carvão, o Simpósio de Poetas Bêbadxs, programa semanal que reúne
poetas de diversas localidades do país. Escreve para não esquecer de si mesmo.

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