Alexandre - poema de Iara Maria Carvalho
ALEXANDRE
Era amarelo-queimado
o cabelo da minha companheira
de quarto.
Educadíssima em seus delírios.
Tomava de oito a nove banhos diários
e ainda temia que camadas e mais
camadas de solidão
ficassem estampadas em seus braços.
Era devotada,
tinha uma alegria parelhada com a dor.
A moça amarela-queimada receava
estirar-se sobre o chão do hospital dos loucos,
era um medo de não voltar.
Por isso, quase não dormia.
Quando acontecia, chamava por Alexandre:
não sei se o imperador ou um antigo amor.
Alexandre passou a ser meu idílio também
e agora é o nome que faltava em meus versos.
Alexandre amarelo, pisoteia meus algozes.
Dormir agora é tão claro.
Iara Maria Carvalho nasceu em 1980, na cidade de Currais Novos, Seridó norte-rio-grandense. É graduada em Letras e mestra em Estudos da Linguagem, pela UFRN. Atua como agente de cultura em sua cidade, através do Grupo Casarão de Poesia. Publicou os livros de poemas Milagreira (2011) e Saraivada (2015). É mãe de Iago, capricorniana e desatenta aos prazeres e perigos domésticos. Não melhora quando chove; mas, quando escreve, vive.
curadoria e edição de marcos samuel costa
variações revista de literatura contemporânea
2020
I edição

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