LITERATURA QUE MARGEIA: XAVIER BARTIRA E O GUAMÃ-PARÁ NO OLHO DO FURACÃO DA PROVÍNCIA MAQUIADA – Paulo Nunes
LITERATURA QUE MARGEIA: XAVIER BARTIRA E O GUAMÃ-PARÁ NO OLHO DO FURACÃO DA PROVÍNCIA MAQUIADA – Paulo Nunes [1] Mostre-me, aponte para o ponto e vírgula; mais fraco que o ponto final, mais forte que a vírgula. Vire-me do avesso Apresente-me Ressignifique o fundo do poço (Xavier Bartira) Concordemos com a ideia de que a cidade é um complexo-decomposto-esdrúxulo, uma quizila da modernidade com as estruturas estéticas maduras, quase mofadas: escrita, ‘pixos’, mídias impressas, expressão de um aglomerado humano que se faz e refaz em exclusões e seletividades, eis a instituição cidade, que brota entre matos, lamas, asfalto, concreto e flores de plástico. II Isto dito, abre-se a janela para encarar Belém, como um contorcido depósito de gentes, conglomerado búrburi-urbano que se instituiu literariamente a partir do início do século XX (embora já houvesse rasuras de uma pré-city em ‘Hortência’, de Marques de Carvalho, ou em passagens d’O Missionário’, d...