A inversão climática - Gutemberg Armando Diniz Guerra
A inversão climática Gutemberg Armando Diniz Guerra Eram 19 horas da noite em Belém do Pará e fazia a temperatura de 28ºC. Um coroa setentão entrou na lanchonete franqueada de uma empresa americana preferida pelo seu filho de 19 anos, acompanhado também do rebento mais novo de 11 anos. Da noite de temperatura amena, se sentiu entrando em uma geladeira ou ter chegado em um país de clima temperado. Não havia ninguém, naquele momento, na lanchonete habituada a receber, na madrugada, jovens saídos das farras homéricas das noites belemenses. As garçonetes estavam, literalmente, de braços cruzados, pela ausência de público e pelas condições artificializadas do clima. Uma delas, com o rosto contraído, parecia um bárbaro zangado, a expressão facial contraída, o olhar fixo nos recém-chegados. O cliente olhou para cima e conferiu a paleta de onde soprava o vento frio. O visor digital do aparelho de refrigeração estava indicando 16º C. Esfregou os braços descoberto...


