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UM CONTO DE VINICIUS ALVES DO AMARAL

  Vinicius Alves do Amaral. Caeiro da várzea Enquanto atravessava a planície liquida, admirava suas margens: os galhos se intrometendo no caminho, as folhas reluzindo como vitrais, os troncos afogados. Finalmente, a embarcação se embrenhou no labirinto improvisado pelas chuvas. Era bem cedo, mas ali dentro se podia sentir o hálito do meio-dia. Como se tivessem entrado em outra dimensão – e realmente tinham entrado. Maritacas, jandaias e araras em algum ponto daquele emaranhado verde celebravam a manhã. Manhã que nunca será a mesma. Não há melhor metafísica que o esquecimento. O doce esquecimento que repousa na sensação. O doce esquecimento da selva. A canoa atravessou o igapó e ele deixou para trás uma gota de saudade. ** Se tem alguém mais calmo que o Seu Magella na Terra, essa pessoa está morta, dizia Renan. Em seis anos trabalhando nessa empresa, nunca o rapaz viu o homem aumentar o tom de voz. Motivos lhe deram, principalmente o gerente. Magella montava as planilhas com minúcia...

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