Moradores de rua - Gutemberg Armando Diniz Guerra
Moradores de rua Gutemberg Armando Diniz Guerra Paredes nunca, Camas de papelão quando há, Cobertores de panos ordinários, Relento de dia e de noite Em cantos de ruas, Embaixo de marquises. Vidas nuas. Pessoas passam em passos apressados, Vendo e sem venda fingindo não ver, Não param nem encaram, Mesmo quando imploradas Por uma caridade, Pelo amor de Deus, Pela voz chorosa, Implorosa, Implorante, Ou por mensagens escritas de qualquer jeito, Em qualquer linguagem correta ou com erros, Exibidas nos semáforos, Em substratos de qualquer matéria, Contando história De pais desempregados, De mães famintas, De desgraças invalidantes, Errantes Em exílio distante da terra de origem. Qualquer doação é agradecida Qualquer olhar é bem-vindo Qualquer palavra é bendita Agradecida. Engrandecida. Quem são os moradores de rua de Belém? Que origens têm? Que fomes carregam? Que sofrimentos? Ferimentos? Mazelas? As falas da maioria lhes atribuem pecados que não se sabe se fizeram. Desejos têm? ...



