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UM POEMA DE MARY CACHEADO GIRONDI

Rios voadores De novembro a maio, o céu da Amazônia é dramático Tal qual as pinturas de Turner, Barcos se movem debaixo de nuvens num belo fenômeno alado Os rios voadores correm, brilham e dançam até chover Cheios de intensidade, inundam represas, florestas e lagos E ao solo não lhe resta outra coisa, a não ser florescer   Mas esses céus em nada se comparam aos céus mais ao sul Como o céu estrelado de Van Gogh São cintilantes, cristalinos e azuis Sua secura desenha riscos oscilantes São claros, nítidos e estonteantes Mas castigam a fauna, a flora e seus habitantes   Apesar da distância, existe o encontro dos extremos Depois de meses de seca, quando chega novembro,   O suor da Amazônia evapora e corre para o Sul Carregando água e vida, os rios voam e correm em cor de tofu E o quadrilátero afortunado por mais algum tempo se mantem As árvores e flores que davam seus últimos suspiros Finalmente se renovam e voltam do além   As paisagens do Sul e Sudeste no verde e na cor...

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