UM POEMA DE MARIA EMANUELLE OSÓRIO PRATES
Maria Emanuelle Osório Prates. o rio cerceado I. onde correm as vazantes onde o pasto não foi soltado rebate aos pés dos gerais o rio cerceado. onde as bisavós beijam os quintais, e os bisavôs ninam as vazantes, retomaremos o gesto primordial. das Serras da Canastra ao Oceano Atlântico, beijaremos. e ao retomar o beijo tu espias um São Francisco que flui como facas e nutre como bagos, as que ficam nos sequeiros os que fincam nas vazantes os que ficam-fincam no lameiro. a pele-território é o ponto de partida, é o destino final. II. o batuque será a pulsação que nos remará ao sonho. nascerá o sol ancestral, quando abrires os olhos. III. os pés do sol querem batucar crânio nosso, levar a semente e a terra ao divórcio. mas tu manejas a roça com o encanto de quem dela vive, e dela cuida. por isso, provarás da macaxeira, do melão-neve. por isso na memória-porvir o território és tu, e teu moleque....




