ENTREVISTA COM O POETA LUCAS ALVIM


Lucas Alvim nasceu em oito de abril de 1990 no município de Areado. Minas Gerais. Graduado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de São João Del Rey. É autor de quatro livros de poesia. O mais recente intitula-se (Cantigas Cotidianas). Editora Penalux. 2018. 




ENTREVISTA COM O POETA LUCAS ALVIM - Por Gigio Ferreira


Gigio Ferreira pergunta: A tua imaginação é o interior de um rio ou de uma pedra? Por quê?

Lucas Alvim responde: De uma pedra, os fluidos são apenas respirações num espaço de um todo sólido, o que muda é a escala, mas o limite é o traço, a fronteira... A solidez!

Gigio Ferreira pergunta: Após iniciar a tua carreira com quatro livros maravilhosos, percebo você catalogando experiências... Qual é o atrito que relativiza o nó?

Lucas Alvim responde: A continuidade, o atrito da vida é não morrer, exige ver que o futuro é palha pra cacete! O contínuo transforma tudo em piada. 

Gigio Ferreira pergunta: Teus poemas são horizontais. Lavra de um artista que burila a palavra no tempo mítico da harmonia, como se estivesse realizando uma prospecção, como alguém querendo anunciar flores, como alguém repatriando laboratórios... Os teus absurdos estão cheios de lágrimas ou são apenas incêndios incontroláveis? 

Lucas Alvim responde: Cheios de lágrimas! A melhor parte da música: o solo. O indivíduo é nascituro, introspecção é se encontrar como indivíduo... É lamentar a beleza. 

Gigio Ferreira pergunta: O que pode e o que deve ser rebeldia ou beatitude na palavra que vira verso na poesia?

Lucas Alvim responde: Sou romântico como todo bom desgraçado!  Acredito no sentido orgânico. Diferenças são apenas estéticas... E é tudo em vão pela música. A vida é muito curta para se parar somente no ritmo. 

Gigio Ferreira pergunta: As pedras preciosas podem se transformar em pedras no sapato? Por quê?

Lucas Alvim responde: Claro! Todo cadáver fede e tudo morre. É necessário tudo o que nasça e não o que nasceu. A eternidade é uma sepultura. 

Gigio Ferreira pergunta: Você acredita em criptografia de colapsos? Por quê?

Lucas Alvim responde: Acredito! O humano precisa ter alguma coisa para contar.

Gigio Ferreira pergunta: Você acredita em regra como equilíbrio? Por quê?

Lucas Alvim responde: Talvez! Dependendo do humor. A gente sempre se esquece e se lembra dos necessários. 

Gigio Ferreira pergunta: A tua Lua é o intervalo entre o pomar mineiro e a rosa do povo?

Lucas Alvim responde: Não! A lua é um deus esquecido... E ele tem seus ritos, muda de nome como todo o resto. 

Gigio Ferreira pergunta: Como é a dor real de escrever poesia para um indivíduo analfabeto?

Lucas Alvim responde: Dor é vaidade! Me canso de monólogos. Somos herméticos por ironia. A certa altura não há dor. 

Gigio Ferreira pergunta: O que você achou dessa entrevista ao Jornal Crescendo em parceria com a Revista Variações?

Lucas Alvim responde: Achei o máximo! Precisei somente de uma caneca de café e um sofá. 



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Gigio Ferreira nasceu no dia 22 de junho de 1967, em Belém do Pará. Cursou Letras. Sua estreia se deu com a publicação da dramaturgia infantojuvenil, O gringo da Matinta (2014), em parceria com a escritora Miriam Daher, pela Editora Giostri-SP. Com exceção do livro O Palhaço de Arame Farpado (2016), poesia, pela Editora Penalux, as suas oito obras publicadas, foram pela Editora Giostri. Atualmente possui dezoito livros inéditos aguardando publicação.




curadoria e edição de marcos samuel costa
Variações revista de literatura contemporânea
2020
II edição

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