04 poemas de Franck Santos
Nenhum verão
As salas de espera
São de uma tristeza sem idade
Mesmo assim
Debruço-me sobre elas e não tenho medo
Como os verões que não me pertenceram.
São de uma tristeza sem idade
Mesmo assim
Debruço-me sobre elas e não tenho medo
Como os verões que não me pertenceram.
Afogados
Ele disse acordar afogado todos os dias
Mesmo que fiquemos deitados ao sol da varanda às oito horas da manhã
Ou olhando o mar grande e transparente
Na tarde se esvaindo.
Não importa se ontem ficamos flertando um rapaz bonito na cafeteria
Ele é tão introvertido como um cofre sem chaves
Mas queria atirar fósforos acesos pelas ruas e causar explosões
Ou entender o segredo dinamarquês para ser feliz, segundo o livro de Hygge
Confidenciou numa noite na qual estávamos bêbados.
Ele me disse
Não lembrar o que lhe aconteceu ano passado
Mas lembra dos anos sessenta
Mesmo ter nascido nos anos oitenta.
Mesmo que fiquemos deitados ao sol da varanda às oito horas da manhã
Ou olhando o mar grande e transparente
Na tarde se esvaindo.
Não importa se ontem ficamos flertando um rapaz bonito na cafeteria
Ele é tão introvertido como um cofre sem chaves
Mas queria atirar fósforos acesos pelas ruas e causar explosões
Ou entender o segredo dinamarquês para ser feliz, segundo o livro de Hygge
Confidenciou numa noite na qual estávamos bêbados.
Ele me disse
Não lembrar o que lhe aconteceu ano passado
Mas lembra dos anos sessenta
Mesmo ter nascido nos anos oitenta.
Deserto
de Lute
Os verões na Ilha parecem o deserto de Lute
Mas suas paisagens me pertencem
Como se pudesse guardá-las nos bolsos
Sendo uma pessoa mais e mais contemplativa
Mesmo que fizesse uma fuga geográfica
Desaparecesse
Me tornasse um cenotáfio.
Mas suas paisagens me pertencem
Como se pudesse guardá-las nos bolsos
Sendo uma pessoa mais e mais contemplativa
Mesmo que fizesse uma fuga geográfica
Desaparecesse
Me tornasse um cenotáfio.
Belezas são coisas acesas por fora
Não
somos alertados para as belezas matinais
Como as bougainvilles emoldurando o muro
Dos rastros fugidios dos caracóis no jardim
Da luz às cinco e meia da manhã brilhando nos fios das tevês por assinatura.
Seduções cotidianas
dos arredores
movimentos
paisagens que ignoramos.
Cultivamos uma vida tão organizada e alienada
Solidões compartilhadas
Álcool sem perplexidade
Nossos dez livros preferidos na cabeceira da cama.
Como as bougainvilles emoldurando o muro
Dos rastros fugidios dos caracóis no jardim
Da luz às cinco e meia da manhã brilhando nos fios das tevês por assinatura.
Seduções cotidianas
dos arredores
movimentos
paisagens que ignoramos.
Cultivamos uma vida tão organizada e alienada
Solidões compartilhadas
Álcool sem perplexidade
Nossos dez livros preferidos na cabeceira da cama.
Franck Santos é um homem comum, ilhado em São Luís, cidade esta que tem mar, porto, muitas histórias, sol e céu azul o ano inteiro, mas prefere dias nublados e chuvosos, uma casa no campo, vinho e blues.
Variações: revista de literatura contemporânea
I X Edição - Mais Brasil que nunca
Edição de Marcos Samuel Costa
2023


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Impressiona diversidade da literatura contemporanea brasileira. Parabéns ao poeta Franck
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