Sussurroneto e outros poemas de Gabriel M. Duarte
(Portinari)
Sussurroneto
O mar bravio me verga o peito
Dedilho alguns acordes dissonantes
Notas surdas; náuse-velejo
Como tocar a velha canção do marinheiro?
Me perco nessa maresia alquebrada, cantiga fugaz
Gemo meia dúzia de versos mudos,
Estranha profusão de sussurros:
Silvos de uma língua ruim
Ouço esses homens de vozes embotadas
Doces posturas amargas
Distantes de mim?
Lanço-me ao mar como um cínico
Frágil-afogado menino
Com medo de seus próprios ardis
Dedilho alguns acordes dissonantes
Notas surdas; náuse-velejo
Como tocar a velha canção do marinheiro?
Gemo meia dúzia de versos mudos,
Estranha profusão de sussurros:
Silvos de uma língua ruim
Doces posturas amargas
Distantes de mim?
Frágil-afogado menino
Com medo de seus próprios ardis
Máscaras de vidro
Não quero, mas minto
Minto porque não posso dar-lhes minhas verdades
Uso máscaras porque minh’alma é feia
A sua não? Quando destituída destas vaidades?
Que pecado seria mostrar-lhes um pouco de autenticidade, liberdade…
Portanto, minto
Chame de hipocrisia, preservação ou instinto
Lhes dou um rosto bonito,
Dissimulados sorrisos…
E assim minto
Engasgo as verdades que cantam em meu íntimo
Seus louvores tão bonitos…
Mato-as todos os dias, por temor aos olhares inquisitivos
Então me pergunto, um tanto desiludido:
Até quando terei de usar essas máscaras de vidro?
Minto porque não posso dar-lhes minhas verdades
Uso máscaras porque minh’alma é feia
A sua não? Quando destituída destas vaidades?
Que pecado seria mostrar-lhes um pouco de autenticidade, liberdade…
Chame de hipocrisia, preservação ou instinto
Lhes dou um rosto bonito,
Dissimulados sorrisos…
E assim minto
Seus louvores tão bonitos…
Mato-as todos os dias, por temor aos olhares inquisitivos
Então me pergunto, um tanto desiludido:
Até quando terei de usar essas máscaras de vidro?
Palavra quebrada
Em meu peito-almaço esconde-se uma palavra quebrada
Miríades de versos, linhas,
Páginas roubadas
Ao crítico culpo pela palavra perdida,
Semeador de dúvidas, medo que
(Imobiliza)
Reflexo-homem cínico,
Severo devorador do far fa lhar
Ladro da arte prematura qu… Rasgou-se.
Miríades de versos, linhas,
Páginas roubadas
Semeador de dúvidas, medo que
(Imobiliza)
Severo devorador do far fa lhar
Ladro da arte prematura qu… Rasgou-se.
Gabriel M. Duarte - Natural de Belém do Pará, Gabriel M. Duarte começou a escrever aos quinze anos de idade, iniciando seu trabalho como contista e, posteriormente, apaixonando-se pela escrita de poemas e pequenas crônicas. Atualmente graduando do curso de Licenciatura em Letras - Língua Portuguesa pela Universidade do Estado do Pará, almeja produzir trabalhos mais sólidos, visando fundamentar-se entre os grandes nomes da literatura paraense.
Variações: revista de literatura contemporânea
XI Edição - outras margens, nenhum limite
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2024

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