DOIS POEMAS TRADUZIDOS DE RICHARD BRAUTIGAN
Iniciamos a publicação de textos com esse tema tão contemporâneo, o qual é a Assombrologia, ou Hauntology, conceito desenvolvido pelo filósofo argelino Jacques Derrida, que influenciou os textos sobre cultura, do comunicador social, filósofo e militante Mark Fisher.
A escolha de trazer para a revista esses dois poemas do escritor norte-americano Richard Brautigan, além de ter a ver com o tema da XIII edição da Variações, tem a intenção de apresentar a forma estilística desse romancista e poeta pouco conhecido no Brasil. Brautigan tem um estilo que explora formas de escrever não convencionais à sua época — o que o colocou em esquecimento por algumas décadas —, por ser atemporal e ingênuo, tornando a sua obra inclassificável, tanto em termo de gênero, quanto ao parâmetro das formas tradicionais de escrever.
Seu nome volta a assombrar o mundo após a sua redescoberta. Hoje, Brautigan é citado por nomes importantes da literatura contemporânea, como Haruki Murakami, Sarah Hall e Joca Reiners Terron. A cultura popular contemporânea também incorpora o seu espírito para fazer melodias, como o caso do cantor Harry Styles, que se inspirou no romance “Açúcar de Melancia”, publicado em 1968, para compor o sucesso Watermelon sugar.
Outro nome importante da cultura popular contemporânea, que cita o mencionado livro de 1968 como referência, é a banda inglesa Klaxons, que compôs a canção Forgotten Works, do álbum premiado “Myths of the near future”, de 2007, baseando-se na personagem Margaret, que coleta coisas esquecidas.
Leiam e assombrem-se.
Boo, Para Sempre
Girando como um fantasma
na parte de baixo de um
topo,
sou assombrado por todo
o espaço em que
viverei sem
você.
Propriedade Real
Tenho emoções
que são como jornais que
se leem por si mesmos.
Frequento-o algumas vezes
preso nos anúncios de ofertas.
Sinto-me como se fosse um anúncio
de uma casa assombrada à venda:
18 quartos
R$ 203.418,60
e eu sou seu
com fantasmas e tudo.
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