IMPRESSÕES DE UMA LEITURA – LIVRO REVELAÇÃO & MÁSCARA – POR ANA MEIRELES




 

IMPRESSÕES DE UMA LEITURA – LIVRO REVELAÇÃO & MÁSCARA – POR ANA MEIRELES 


Se o ato de ler é simples, complexo pode ser o entendimento do que se lê. E por mais árdua possa ser a abstração que se faz das palavras em seus sentidos, o sabor do entendimento é domínio do sentir, assim creio ser passível acomodar.  Trato aqui da leitura do livro Revelação & Máscara, de ARISTOTELES GUILLIOD DE MIRANDA, autor de uma obra onde as metáforas dominam o corpo dos versos tornando-os faces enigmáticas dos poemas. 

O mundo dos versos de Aristóteles segue um universo de alcance polissêmico, onde se adentra latifúndios intensos e se contata com o de mais íntimo, ou vago, que ocupa a singularidade da existência. A parte que mostra que existem frestas nas paredes da alma e de lá ecoam ruídos diversos. As ruminações que repercutem a idiossincrasia  de um tempo ido, vivido e revivido numa voz poética dissecada pela emoção que parece esvair-se. Voz espelho a refletir a semântica no simbolismo gráfico, tal são as palavras ao carregarem versos e formarem os poemas. 

Assim, trafega Aristóteles Guilliod, sobre os trilhos de um sentir que, sabidamente, se oculta no volátil de uma palavra deixada no ar ou que se deixa ir pontilhado talvez em supostas reticências.  Máscaras & Revelações é a sinopse de uma poética existencial, onde o corpo fala, o tempo diz, e o gozo parece fenecer em paragens nostálgicas como no poema abaixo (pág. 109) intitulado Canto Final: 

“são nódoas 
      dores
       anos
       nós
um pêndulo gotejando a hora
 – falo flácido
pegadas varridas em caminho inútil 
de sonhos insepultos 
às noites as horas silentes somadas
assumem a medida do tempo 
datas determinam limites
fronteiras de inconstância & realidade 
             rugas/fugas
encanecimento/esquecimento
   adiposidade/ animosidade 
a memória vomita devagar 
os fatos  os amigos  os mortos
as chegadas  o esquecimento 
o riso  as despedidas
o sim   as decepções 
o ter  os desencontros 
o vir  as frustrações 
os dias  os dias  os dias  os dias”


Ana MEIRELES, Escritora e Poeta Paraense

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