Resenha: URUCUM de Deolinda Nunes




SOBRE A LEITURA DE URUCUM

Por Ana Meireles 


  Toquei Urucum e minhas mãos ficaram escarlates, cor de pulsante coração. E pela enseada dos meus olhos um visgo de vida se acendia a cada palavra consumida em leitura. 

URUCUM é o Livro de DeoLinda Nunes, Autora Paulista que tive a alegria de conhecer quando veio em visita à terra de Belém do Pará. 

Terra é um termo forte, mas não encontro outro que me plugue mais próximo das sensações que obtive durante a leitura de Urucum. A terra e suas inter-relações, sua relevância conexa ao mundo dos vivos, dos entes, dos seres conscientes. 

Impossível ler a poesia dela, de DeoLinda Nunes, e não se conectar a algo maior desde que se inicia a leitura. 

Para sentir essa verdade, trago um verso situado à página 15 em que:

“: o amor quando prepara um poema 
não dorme, o amor não dorme não”

Se conectar a algo maior é tentar alinhar-se ao imponderável ( ponto obscuro ) da vida mesmo que pareça ser um ponto de costura mental em que os fios norteadores dão a formar enigmas. 

E se tentar navegar nos mistérios que possam sensivelmente levar a intuir que, “ talvez tudo possa ter uma explicação, sem que se saiba…”

Essa retórica ao qual me apropriei na reflexão sobre a poética da autora é embasada pelo quanto seus poemas provocaram em mim a sensação de profundidade, de grandeza, no que tange aos mistérios que sondam esta vida que se faz viva em seus cenários mais belos: florestas, montanhas, rios, pássaros, os animais mais diversos…que compõem o plano da biosfera. 

Sensação de profundidade e conexão… sem perder o prumo de que, 

 “na profundeza de todo sentido
: o fluxo da vida é correnteza”(pág.18). Uma correnteza onde a poesia faz com que  
         “ o existir talvez seja assim 
         : uma brincadeira de curumim “


E até chegarmos a nos questionar sobre quanto cabe: 

“quanto cabe de cinesia, de poesia?
quanto cabe de terremoto? de corrosão?
quanto cabe de palpitação nas reentrâncias 
do coração? quanto ? quanto cabe?”(pág.66)

Deixo aqui esta reflexão do grande prazer proporcionado pela leitura de URUCUM, de DeoLINDA Nunes. 


     Ana MEIRELES - Poeta Paraense

Comentários

Postagens mais visitadas