SOBRE A LEITURA DO LIVRO “AFRODESCENDÊNCIA DE MIM” DE MAURA LUZA FRAZÃO, POR ANA MEIRELES
SOBRE A LEITURA DO LIVRO “AFRODESCENDÊNCIA DE MIM” DE MAURA LUZA FRAZÃO, POR ANA MEIRELES
Quando um autor, no caso aqui uma autora, desenvolve a poesia de um livro voltado para a sua vivência pessoal, a sua raiz enquanto ser humano afrodescendente, há que se dizer que elaborou a sua poética preenchido da sua essência em vestes e suspiros, herança de outros. Daí se pensar o banhar de sentidos múltiplos sobre a pele que se revestiu aflorando a subjetividade na longa teia do existir.
Em “Afrodescendência em mim”, Título do Livro de Maura Luza Frazão, se verifica conforme o avanço da leitura, a experiência de um empoderamento que remete à história de vidas, à ancestralidade dos seus antecessores e conterrâneos da raça negra; À rememoração de capítulos cruéis da existência dos antepassados.
Impossível não lembrar, impossível esquecer. Maura Luza embarca e trafega poeticamente no mar das recordações quando diz: “ meu corpo é um mapa das vivências”(pág.85). Resgatando na dor das lembranças, a luta de diversas vidas subestimadas na sua dignidade. E admiravelmente consegue traduzir o sofrimento de forma poética, ressaltando o sublime aspecto da ressignificação, da resistência e empoderamento das mulheres negras, incluindo neste particular a figura de sua amada mãe Bibi e de outras mulheres.
Não restam dúvidas quanto a força da sua alma, da sua poesia. Na pág. 80 diz ser “uma mulher com fome“. Impulsionada (como se pode inferir) quando diz “ouço o som dos tambores“ (pág.20). Não tem como negar que ” A melanina que em mim pulsa…”(pág.19), reescreve uma história com a força das palavras. Palavras que encantam; Palavras, em nossos ouvidos; Palavras que contam histórias (pág.28).
Reescrever uma história envolve:
E Maura Luza Frazão está bem certa quando diz que, “ Na vida…
Tudo é matemática”(pág.56)
Tão certa que, nas págs. 67/68, exibe a sua matemática do afeto no lindo poema “ RECEITA DE FELICIDADE ”.
Ouso e atrevo-me a dizer que Maura Luza Frazão soube, na medida da sua experienciação de vida, transformar as tintas da memória em um poema de vida inspirador com o seu “Afrodescendência em mim”. Por isso, finalizo este texto dizendo à autora: Parabéns!
ANA MEIRELES- Escritora e Poeta Paraense

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