No Quarto - poema de Aline Alfaia Meireles

A Cadeira de Gauguin (1888) de Vincent van Gogh | Tela para Quadro na  Santhatela
(Van Gogh, reprodução)

 

No Quarto


Na calada da noite calado esbravejo!

Sim, esbravejo sobre meus silêncios e sons.

Em minha direita, a manca e barulhenta cadeira

E a esquerda, a morbidez estática dos meus dons.


Sinto um enfado simetricamente símile ao teto:

Monocromia monótona – cosmopolita fabricação!

Onde súbito pranto traz melancólica inquietação

Culpa de ubíquas agulhas que tendem a ser de ferro.


É neste solilóquio imprudente que rodeio minhas dores

Que aspiro, respiro e suspiro aragem fria...

No entanto, as mesmas agulhas que citei nesta poesia

São aquelas que usualmente bordam meus amores






Aline Alfaia Meireles é uma jovem poeta paraense, essa é sua primeira publicação. Estreia na literatura com a intervenção e colaboração da poeta e tia Ana Meireles e do poeta Marcos Samuel.




curadoria e edição de marcos samuel costa
Variações revista de literatura contemporânea
2020
II edição

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