Ano sombrio - Gutemberg Armando Diniz Guerra
Ano sombrio
Gutemberg Armando
Diniz Guerra*
O ano de 2026 começa sombrio com a
intervenção americana na Venezuela e as ameaças de expansão dessa ação com o
efeito dominó que sugere autorizar comportamentos dessa natureza para outros
países do mundo. Sim, sombrio me parece a palavra mais adequada porque o que me
vem à mente é a cor cinza que evoca destruição pelo fogo das armas que os
militares costumam usar.
O ano começa sombrio porque as palavras de
protesto soam como sussurros remotos de vozes que não tem forças para se impor
nem se transformarem em barreiras para coibir atos de agressão de países
poderosos sobre outros com menos poder de fogo e armas.
A ameaça da águia careca do imperialismo
não se restringe à América do Sul e Caribe. Ela se estende para a Groenlândia e
Dinamarca e se espalha como medo para muitos outros países do mundo, longe ou
perto de suas garras e bico de rapina.
Políticos de extrema direita incentivam
atos de vandalismo e descumprimento de regras institucionais estabelecidas
democraticamente dentro dos marcos do estado de direito constitucional.
O ano de 2026 começa sombrio com pesquisas
anunciando eleições de governadores de estados e congresso nacional muito
conservadores, tanto ou pior do que os do quadro atual. O ano inicia sombrio
para os pobres e vulneráveis que vão sendo arrastados por falsas notícias e
sofismas que lhes seduzem e fazem eleger os seus próprios algozes.
Corpos humanos desidratam vivos nas ruas e
calçadas. Homens jovens sem comida, sem abrigo, sem saúde e sem escola se
arrastam com suas famílias famélicas, malvestidas e remelentas.
O ano começa com um tom cinzento de
desesperança e maus presságios. A ameaça de uma Terceira Guerra Mundial se
desenha nas nuvens e deixa no ar uma atmosfera de cristal que pode ser trincado
a qualquer momento por uma bala, uma pedra ou uma palavra maldita.
O ano começa pedindo preces e orações
poderosas de povo na rua e em guarda para não permitir que volte a reinar
senhores de escravos, nem ditaduras disfarçadas de democracias e nem tampouco
democracias transmutadas em autoritarismos militarizados e tão bárbaros quanto
os mais agressivos e ferozes dominadores que vimos atravessar a história da
humanidade.
O ano começa sombrio e cabe a nós fazer
que o sol da rubra aurora venha a nos acalentar com seus raios de liberdade e
respeito ao coletivo e ao próximo vulnerável e agredido historicamente por ser
pobre, preto e periférico.
O ano se faça promissor de terra livre,
alimento farto, saúde vigorosa e vida plena para todos os seres, humanos e não
humanos, tornados todos divindades por serem cheios de vida, esse mistério
profundo...
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Variações: revista de literatura contemporânea
XIII Edição - vidas fantasmas: poéticas assombrológicas
Curadoria e Edição:
Bruno Pacífico
e Marcos Samuel Costa
2026

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Bela e sombria análise professor. Me parece que o ser humano trás nas artérias o sangue do amor e também do ódio, aquele que for mais cultivado (amor) ou instigado (ódio) tende a sobre sair. Os milênios da existência humana na Terra, a exploração, dominação e opressão de um sobre o outro parece não ter fim, muda-se a metodologia, mas as práticas são as mesmas.
ResponderExcluirO que me surpreende é que a opressão do presidente americano fora e dentro do seu país, parece ser oficializada, pois nem o Congresso e nem a Suprema Corte não fazem nada para impedi-lo.
A esperança é que o próprio povo americano rejeite esse cidadão e peçam o impeachment dele. Vamos ver se assim, as instituições republicanas dos E.U.A se mexem.