A sorte ao largo - Gutemberg Armando Diniz Guerra

 



A sorte ao largo

Gutemberg Armando Diniz Guerra*


A minha sorte passa ao largo da premiação que ensaio a cada jogo da mega sena e milionária. Com os boletos não premiados faço barquinhos de papel... Quem sabe meus anseios de riqueza continuem navegando e um dia chegue em porto seguro, garantindo dias melhores do ponto de vista financeiro e material. 

Já fiz todo tipo de simpatia para ganhar e nada funcionou. Gastei, em sonhos, mais do que todo o dinheiro que eu ganhasse pudesse me ofertar e, talvez por isso, a dona sorte não me tenha contemplado. Já fiz promessa de fazer muita caridade! A sorte me disse que dinheiro de jogo não é para esse tipo de bondade e, por isso, ela não me deu nada! Já resolvi, hipoteticamente, problemas de mil conhecidos e outras pessoas que eu nem conheço. 

Essa promessa também não resolveu porque não se materializou! Fiz promessa de avarento e quem disse que funcionou? Ouvi mil histórias sobre gente que ganhou e ficou pobre! Gente que enricou e sofreu pressões enlouquecedoras da família, dos amigos, dos conhecidos e até de desconhecidos. Creio que a sorte não me quer em nenhuma dessas situações.

Enquanto isso, acumulo barquinhos com os bilhetes não premiados das vezes que joguei e vejo tanta graça neles que talvez seja essa a melhor recompensa que tenho nessas tentativas inglórias de enricar pelas mãos de Dona Sorte! Esboço risinhos amarelos, não dourados, e agradeço à indiferença dela: Obrigado, Senhora! Quem sabe um dia a senhora me ouve?...



_________________________________________________________________________________

*Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal da Bahia (1976), Especialista em Desenvolvimento Rural Integrado pela Secretaria de Planejamento e Tecnologia do Estado da Bahia (1984), Mestre em Planejamento do Desenvolvimento pela Universidade Federal do Pará (1991), doutor em Socio Economia do Desenvolvimento pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris, França (1999), Pós doutor pela Columbia Universtiy in New York City (2009). Professor associado e Coordenador do Programa de Pós-graduação em Agriculturas Amazônicas do Núcleo de Ciências Agrarias e Desenvolvimento Rural da Universidade Federal do Pará (2006-2007 e 2010-2011). Experiência na área de Agronomia, com ênfase em Sociologia Rural, atuando nos seguintes temas: Agricultura familiar, Campesinato, Sindicalismo rural, Amazônia, Desenvolvimento rural, Agro-extrativismo, Mercados e Feiras Agrícolas. Conselheiro da Rede de Estudos Rurais.


Variações: revista de literatura contemporânea
XIII Edição - vidas fantasmas: poéticas assombrológicas
 Curadoria e Edição: 
Bruno Pacífico
e Marcos Samuel Costa 
 2026

Comentários

  1. Bela crônica, caríssimo Professor Doutor Gutember! Acabei de ler e gostei muito. Parabéns! Estou na torcida e espero que, em breve, muito breve mesmo, Dona Sorte de fazer ouvidos moucos (risos) e o contemple em sorteio milionário. Gostei da crônica.
    Forte abraço.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas