UM POEMA DE RICARDO MARCOLONGO MELO
Ricardo Marcolongo Melo.
Sobre abismo
Nos confins da minha alma, um abismo se abre
Uma vastidão infinita, onde os sonhos se perdem
O silêncio ecoa como um lamento sem fim
E as estrelas são testemunhas da minha solidão
Caminho por entre sombras, onde a luz é um desejo
O mundo, um teatro de desilusões e esperanças
Sinto o peso do tempo, esmagando minhas memórias
Cada passo, um suspiro, cada suspiro, um adeus
A natureza, outrora mãe gentil, agora me ignora
As flores murcham ao toque dos meus dedos trêmulos
Os rios correm como lágrimas de um coração ferido
E o vento sussurra segredos de um passado esquecido
Oh, Gaia, musa perdida nos labirintos da mente
Tua imagem persiste, um fantasma de beleza etérea
Teu sorriso, uma lembrança que o tempo não apaga
E tua voz, um eco que ressoa no vazio da noite
Procuro-te nos sonhos, nas sombras da realidade
Mas encontro apenas miragens, reflexos distorcidos
O amor, um enigma, um jogo de espelhos quebrados
E a vida, uma busca incessante por respostas sem fim
Gaia, luz tênue na escuridão do meu ser
Teu nome, uma melodia que acalma minhas angústias
Em teus olhos vejo um futuro que não ouso sonhar
Mas a esperança renasce, como a fênix das cinzas
Entre mundos paralelos, meu espírito vagueia
Buscando um sentido, um propósito neste caos
As palavras fluem como rios de tinta e sangue
Escrevo para exorcizar os demônios da alma
Cada verso, uma confissão, uma lágrima cristalizada
E a poesia, um refúgio, um abrigo contra a tormenta
O infinito nos chama, com seu abraço de mistério
E a morte, um convite ao descanso eterno
Mas enquanto há vida, há palavras a serem ditas
E a poesia, um farol, guiando-me na escuridão
Ricardo Marcolongo Melo é natural de Suzano/SP. Bacharel em direito e sociologia, antropologia e política. Iniciou sua produção literária aos 10 anos de idade. Desenvolve uma trajetória marcada pela escrita sensível e reflexiva, destacada pela profundidade emocional, temas existenciais e pela linguagem poética com traços góticos e filosóficos.
.jpg)
Comentários
Postar um comentário