UM POEMA DE LILI TOSTA
medo eu tenho
de levar uma surra
de que ele me bata
com a sua dura vara
pois, suficientemente dura
.já é a vida
que ávida me consome
me engole
como
um urubu
que carniça fresca no pasto
acabou de comprar
porque o capitalismo
que solto come
faz até o urubu
pela carniça
.pagar
e eu, que pago para a minha vida
em paz
tentar viver
e muitas vezes falho
miseravelmente
.sem conseguir entender
então que vá pra puta
que pariu
porque uma puta que pare
pare um mundo
pare um ser
.que o homem sente vontade de comer
mas o urubu não deixa
não
.não
porque ele guarda as putas
.e come os homens
que assim como em mim
,com as suas duras varas
também desejo eles sentem
.de bater no urubu
que me protege
me acompanha
e não deixa que
nada
de ruim
penetre a grande puta que eu soul
e que sempre está a parir
poemas
artes
.e loucuras
pois estes são os seres
que as putas parem
.e que os homens passam vontade de comer
.porque, suficiente, para eles, nunca é
e quanto mais desejo os homens sentem
mais as putas parem
e mais cansados ficam os urubus
que têm vontade
de mandar os homens
.para a puta que pariu
.mas eles se recusam a ir
Lili Tosta é autora do livro .alma para confundir poesias, publicado pela Editora Libertinagem, em fevereiro de 2025. Criadora forjada pela alquimia da vida e pela paixão de escrever. Mestra em Química pela UNICAMP e Estilista de Moda pelo SENAC. Através de uma escrita visceral e verdadeira, expresso vivências e percepções como mulher em um mundo patriarcal. Aos 37 anos, moro em Paulínia/SP e trabalho com a produção de tintas naturais artesanais, criação de obras de arte em aquarela e bordado em tecido e papel.
Variações: revista de literatura contemporânea
XIV Edição, ano 5 - Verde-vago-mudanças: poéticas da natureza e suas urgências
Curadoria e Edição:
Marcos Samuel Costa e Bruno Pacífico
2026

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