UM POEMA DE GABRIEL MIRANDA
Gabriel Miranda.
Terreno
Livros estão
no alagadiço terreno da memória
onde tipografias,
libertas da porosidade do papel,
encontram o destino da terra
Uma mulher sulca o barro
com uma
enxada
antiga
deixando que lama
e poema
se arrastem para fora
do campo arado
Cenas arcaicas, mas não as nossas,
inflam a noite
com ruídos de canto e
discursos ignorados
cuja função não é
estabelecer a política
mas acalentar o sonho
de redes anônimas
no alagadiço terreno da memória
onde tipografias,
libertas da porosidade do papel,
encontram o destino da terra
com uma
enxada
antiga
deixando que lama
e poema
se arrastem para fora
do campo arado
inflam a noite
com ruídos de canto e
discursos ignorados
cuja função não é
estabelecer a política
mas acalentar o sonho
de redes anônimas
Gabriel Miranda é carioca, licenciado em História e em Letras e Doutor em Estudos de Literatura pela Universidade Federal Fluminense. É professor adjunto de Literatura na Universidade do Estado do Amapá desde 2024.
Variações: revista de literatura contemporânea
XIV Edição, ano 5 - Verde-vago-mudanças: poéticas da natureza e suas urgências
Curadoria e Edição:
Bruno Pacífico e Marcos Samuel Costa
2026


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