Voz: um manifesto poético de Wanda Monteiro
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| créditos: amantes ao rio - marcos samuel costa |
Voz
Wanda Monteiro
É inverno nesse meridiano. Estou ao pé da serra,
à minha frente tenho
o mar aberto, ao meu lado uma laguna. Estou bem longe de meu rio Amazonas.
Estou em um outro rio que não é rio, mas guarda um nome de santo e chamam de
São Sebastião do Rio de Janeiro. É uma madrugada fria e molhada. Vou dormir com a música da chuva.
Eu adoro essa cantilena da chuva. Ela caindo
no barro da telha, caindo
sinuosa, batendo na minha janela.
Não consigo dormir, escuto a voz de
Miguel dos Santos Prazeres falando de seu pai:
... Eu sei, eu sei
que ele amava a chuva, porque eu via nos seus olhos a alegria de ver a água escorrendo, banhando as árvores,
caindo sobre a mata, crivando
o rio de pingos e respingos, descendo as ribanceiras. Ele gostava da chuva,
porque ele entendia o barulho da conversa que ela fazia nas barracas
de palha. A chuva tem uma cantiga
antiga de enganar
o sol, de misturar o dia com a
noite e de ensinar o pobre adormecer com fome, A chuva tem uma conversa-fiada-tecida-na-palha que até é doce de se escutar.
Com a voz de Miguel no pensamento, agora
mesmo é que não conseguirei dormir. É tão difícil
dormir. Sempre que vou dormir, ocupo muito de
mim com esse desassossego de olhar pra vida e dela saber
o seu deslimite. Quando a madrugada chega, tenho em mim essa
inquietude de escutar a ressonância do tempo, suas claridades, seus escuros, seu grito e seu silêncio.
Preciso muito dormir, soltar o fio do
pensamento e descansar pra escrever sobre Benedicto, o Bené como eu gosto
de chama-lo. Escrever
sobre ele é sempre um desafio.
Acordei ao meio
dia com a cantilena
da chuva.
Sim. Ainda chove nesse início da tarde. É uma chuva amiúde.
Não resisti. Fui ter com a chuva. Sempre
tenho esse gesto atávico de olhar pra chuva, de correr pra dentro da chuva, de
olhar de dentro dela, de chover com ela. Bené meu pai, dizia que nisso, eu
parecia muito com sua mãe, minha avó Eriberta. Minha avó Berta,
assim eu a chamava,
gostava de ficar sob a chuva, de olhar pra
ela caindo sobre o rio. Em
sua casa, na beira do rio, ela
sentava na cadeira balanço e fincava seus pés na terra molhada, olhando a chuva
fazer seus caminhos para o rio.
Para nós, de vida ribeira,
a chuva é o rio suspenso
no ar. A chuva é um talento da
natureza.
Nesse
quando de chuva,
de um inverno ao pé serra, me vejo diante
da janela, olhando pra chuva.
Pareço escutar a voz de meu
pai, a voz de minha avó Berta e a voz de Maria. Sim.
Escuto a voz de Maria de todos os rios, ela falando de sua mãe e seu
encantamento pela chuva.
... Nas horas que chovia, minha
mãe saía pra fora de casa e tomava banho na chuva. Deixava que a água lavasse o
seu rosto, virado pro céu, num gesto parado e de súplica.
... Nunca compreendi essa inquietação de minha mãe. Eu pensava
que era uma doença. Nem tive capacidade de interpretar os seus gestos,
como esse de se entregar todinha pras águas da chuva...
Penso que ao escrever sobre a mãe de
Maria, Bené lembrava de sua mãe e de seu estado
de maravilhamento ao ver a chuva cair. Minha avó fazia
assim como dizia Maria de sua mãe:
... Com
olhos fechados ou fitando entre os respingos, nunca imaginei que ela podia
estar procurando, muito longe, o firmamento. Era paresque a procura de uma
brecha, pra olhar mais longe. Uma janela pro rio, com leito largo e águas
correntes...
Com essa escuta, me veio um sentimento
antigo e só nesse agora, tomo consciência: o de que Miguel e Maria são meus
irmãos. Meus irmãos metafísicos, é certo. Mas. São meus irmãos.
Miguel e eu nascemos no mesmo ano. No
ano de 1958. Eu nasci à margem esquerda do rio Amazonas, num de seus braços
líquidos, o igarapé chamado Surubiú, numa cidade ribeira chamada Aldeia de Alenquer. Miguel, nasceu no anverso de
um papel, hoje, um manuscrito amarelado pela travessia do tempo, perdido nos
escaninhos de memórias. O fato é que
Miguel dos Santos Prazeres, o Minossauro, foi concebido no campo das ideias.
Foi pensado, sonhado e gestado sobre as águas, quando Bené fazia suas viagens rios adentro, em cima de uma canoa
gita como ele dizia, ou em cima de suas voadeiras, como eram chamados
os barcos movidos a motor. A semente de Miguel foi plantada pela palavra, no
Conto O Precipício, escrito 1958 e publicado no mesmo ano, na revista Norte,
editada por um outro bendito Benedito, nosso genial Benedito Nunes.
Miguel e eu nascemos sob o signo da
liberdade. Nascemos antes do golpe que tomou de assalto a liberdade de Bené.
Maria é fruto do exílio. É fruto deste sempre verbo conjugado
por Benedicto Monteiro:
o verbo resistir. Maria de todos
os rios, foi concebida por Bené, em seu longo
e doloroso tempo de
exílio, cumprido em sua casa, sua ilha dentro da ilha, sua ilha avenida.
Foi na solidão das matas, no cárcere e na sua própria ilha que Bené
encontrou se encontrou com o espaço, com o tempo, com o homem
amazônida. Foi na solidão, que Bené,
meu pai, encontrou consigo mesmo e constatou que só poderia exercer sua mais
íntima liberdade no ato de escrever. Posso ouvir sua voz dizendo:
Pois foi nas matas
de Alenquer e nesse cárcere de quartel que me encontrei comigo mesmo. E também com o tempo,
com o espaço e o homem
amazônico. A partir daí, a minha vida íntima se confundia com esse tempo, com esse espaço e com a vida dessa
gente que mais tarde se transformariam
nas personagens de meus livros. Confirmei, naquele período, que escrever, para
mim, era também o único exercício da minha mais íntima liberdade, e de tal forma, que quando me deparei com a liberdade propriamente dita, que
tive que enfrentar a sociedade na condição de marginal, proscrito
ou vivente do ostracismo, quase não percebi
que não tinha voltado para a minha mesma
cidade. Para a minha mesma casa.
Mesmo no convívio com a minha família, ao lado de minha mulher e meus
filhos, eu tinha bruscamente caído numa ilha, numa ilha do mundo, numa ilha
social, numa ilha da avenida.
Nessa dobra tempo, em que mergulho nesse
rio de palavras pra escrever sobre Bené, me vejo em busca de seu gesto inicial,
de suas primeiras visões, de sua primeira pulsão pela escrita e na escrita. Mas
a memória quando é escavada em suas fundas camadas, corre esse risco de
reinvenção. Assim acontece com Bené na escritura de seu transtempo, quando ele
tenta falar de sua identidade em suas memórias:
É
muito difícil, ainda hoje, separar os meus sentimentos religiosos, políticos e sociais neste
meu processo permanente de dúvida e conhecimento.
É muito difícil classificar-me, codificar-me, identificar-me.
Sou escritora, dizem que também
sei escrever poemas.
Sobre escrever poemas, não
tenho muita certeza disso. Mas, sobre meu amor e devoção pelas palavras e pela
literatura, sobretudo como leitora voraz que fui. Disso eu não tenho dúvidas.
Acho que herdei
de meu pai esse amor e devoção
pelas palavras. Estou escrevendo um livro de poemas sobre meu encontro
com o mar. Nesse momento
em que escrevo sobre Bené, tento me depreender das paisagens que componho em meu livro.
Não consigo.
Ouço o barulho do mar. Posso ouvir e
sentir o átimo do instante em que a crista da onda quebra e cai com toda força
sobre a areia. O mar está em ressaca e sua ressonância pode ser sentida ao
compasso de minha respiração. Moro ao pé de um afloramento rochoso. E nessa
noite, essa coluna rochosa está à espreita
de Urano em fúria. Já é noite.
Esse dorso, feito de sal e espuma, inclina-se para
ouvir o rumor do tempo.
O mar. Se signo fosse,
seria um deus a repetir-se na estranha força
de ondular infindo, em e por si, sob pétrea regência suspensa no abismo
das equidistâncias. Fosse deus, seria o mar, esse corpo erguido
ao vento, a forma
viva de uma nave-mãe, nave líquida, mãe movente, face oculta do deserto.
Vou dormir com o mar.
Hoje acordei com essa lembrança. Que um
dia, ao ser provocado por mim sobre o começo de sua paixão pela literatura,
Bené disse-me que embora essa pulsão pela escrita literária tenha sido
deflagrada quando ele ainda era um jovem adolescente de 16 anos, quando
arrebatado pela leitura de Chove Nos Campos Da Cachoeira
do escritor Dalcídio Jurandir, ela só se consolidou com a escrita
de seu Verdevagomundo. Esse livro foi seu primeiro
romance e mais tarde, faria parte de sua trilogia amazônica.
Essa conversa aconteceu em plena
ditadura militar, portanto, embora o recrudescimento da ditadura militar e de
suas forças opressoras tenham sido, de alguma forma, estancados por movimentos
políticos de resistência que abririam pra o caminho da redemocratização, meu
pai ainda vivia em sua/nossa ilha e sempre afirmava que o ato da escrita, pra
ele, era um ato de resistência.
Esse maravilhamento, experimentado por
Bené ao ler o livro Chove Nos Campos Da Cachoeira, o despertou pra uma nova e
inquietante visão sobre esse microcosmo chamado Amazônia e ainda, lhe acenou
pra novas percepções sobre o viver dos ribeirinhos. Nesse momento, aos 18 anos
de sua vida, nascia Bandeira Branca, seu primeiro livro de poesia e nele, o
escritor que também nascia, dava os primeiros sinais de que sua escrita estava
sendo fundada em uma consciência potencialmente política e de resistência.
Seu poema Insatisfação
dá claros sinais dessa inquietação:
Trago no corpo
o frio desfibrilador das endemias
a lama das terras alagadas
e o soturno roncar
do Amazonas quebrando e
inundando
verdes matarias!
Trago nos olhos
o horizonte verde, sempre
verde, da terra imensa e misteriosa,
a realidade triste, sempre
triste, dos homens que vivem
nas lendas
maravilhosas.
Desses homens que lutam a guerra dos fortes; brigando com a
terra, brigando com a água
e com a ferocidade
das foças desconhecidas.
Trago nos olhos
a monotonia das paisagens, a poesia triste das paragens,
a triste poesia que brota da
terra, transformando em lenda
a miséria da vida!
Trago na alma
os quadros trágicos e possantes
que guardam ainda a cor
e a impetuosidade das criações
remotas.
Trago na alma
a impressão marcada
da gente infeliz
e desgraçada
que já enfrentou todas as derrotas!
Tudo isto eu trago no meu coração para escrever
a minha grande poesia de insatisfação...
Após a publicação de Bandeira Branca,
Bené fez um longo interlúdio em sua caminhada literária. Continuou escrevendo,
aqui e ali, poemas, contos, ensaios. Mas, não publicava. Foi viver uma vida de
lutas onde conjugava, com vigor, o verbo
resistir. Percorreu uma senda
que lhe levou à carreira política, e essa se colocou à frente da carreira literária. Esse percurso
político, de lutas por liberdade, igualdade e justiça
social o levou
pra um lugar potencialmente perigoso diante
de um golpe militar que tomou de assalto sua liberdade por longos anos.
No depois da senda de palavras, até aqui
lidas, e escritas por mim e por meu pai Bené, me veio à escuta não de sua voz, mas sim de seu silêncio.
Se ele estivesse entre nós, aqui e
agora, ele me diria sobre o silêncio que sempre me acomete diante das mortes de
cada dia. E eu lhe diria do vazio dessa estação chamada saudade.
A saudade
de Bené será sempre um silêncio.
Cultivo em mim esse silêncio de revolver
a memória deitada no leito mais fundo, sobre seixos de relvas afogada.
Esse silêncio de escavar o fundo
do tempo. O que me há sempre deságua nele: o rosto silente do pai a me olhar
das distâncias, de viver e correr entre uma margem de lembrança e outra margem
de espera. Essa espera densa de sílaba a sílaba, concentrada em cristal
arenoso. Mas, há uma terceira
margem de incontornável geografia: o agora e essa saudade
a consumir o pensamento em amplidão de ausências.
A saudade essa clareira no peito ancho de ecos. A saudade esse lembrar à
exaustão. A saudade. Esse algo a pesar sobre o dorso do tempo partido por uma
estação sem nome. E há outra margem. A margem onde busco a palavra: uma palavra que seja rio para assim ser palavra,
uma palavra de ter
começo, mas, de não ter fim, pois que não ter fim é seu destino.
No dorso desse tempo de guelras abertas,
há a voz do pai dizendo das palavras que sustentam o mundo, que
suspendem o céu, que inventam a vida e agasalham, na memória, o mistério de
todo sentir.
Meu silêncio foi quebrado pela chegada
de meus netos, em minha cabana ao pé serra. Os netos são pra mim esse amor em desmesura, um laço
inquebrantável. Neles eu posso exercer minha afetuosidade e meu bem-querer
livremente. Eles quebram em mim qualquer silêncio.
Só hoje nessa noite fria com ventos
soprando à sudoeste. Sob à constelação do Cruzeiro do Sul, em agosto de 2024,
eu me dei conta que Miguel dos Santos
Prazeres, assim como eu, completou 66 anos de existência.
A diferença é que Miguel não envelheceu como eu envelheci. Sobre Miguel não
incide nem o peso nem os atravessamentos do tempo. Nas palavras, Miguel vive e
revive com o mesmo vigor.
Bené vive em Miguel. Ele tem, nas palavras, sua cotidiana
ressurreição. Nas palavras, sua voz indomável pode ouvida cotidianamente.
Sobre
o tempo, sua travessia, seus efeitos, posso
dizer que sinto
o seu peso sobre o corpo e sobre a maturidade nos ossos das palavras. No entanto,
o tempo me trouxe o que considero uma virtude: já não tenho pressa. No começo
desse meu anoitecer, cultivo a contemplação.
Antes
de partir, meu pai Benedicto Wilfredo Monteiro anoiteceu. Estive ao seu lado nos últimos meses de sua noite. Ele,
adoecido, sem chances de cura, muitas vezes, acordou, olhou sorrindo pra mim,
dizendo: Filha! Estou partindo.
Vendo-me revisar seu último romance, dizia: Filha,
antes de partir, preciso lançar meu
Homem Rio, preciso libertar Miguel.
Hoje, digo pra mim que esse foi mais um de seus atos de resistência. Ele partiu.
Posso ouvir sua voz:
Tantos anos andei pelo. Sempre
transitoriamente. Aprendi que porto, mesmo, é só a maturidade. E chegada,
mesmo, é o só ultimo regresso.
Bené,
em seus últimos dias, nesse quando e onde vivemos,
raramente dizia a palavra
morte. Falava sempre
em partir. E nesse exato ato de escrevê-lo,
lembro de seu sentimento sobre a morte, e sobretudo, lembro de quão era
importante ele reafirmar a vida, conjugando o verbo resistir. Esse sentimento é
traduzido na voz de seu alter ego Miguel:
Nego as mortes! Nego e renego as mortes,
todas as mortes.
As mortes de ficar
calado, as mortes
de ver a água correr,
as mortes de ver o rio sempre passar, as mortes gerais dos homens
que envelhecem. Eu nego e
renego as mortes. Eu só afirmo a
vida. Minhas afirmativas, só são de bem-querer, de bem-viver e de bem-lutar.
Sinto
que sempre vou lembrar desse dia. O dia em que eu e meu irmão
Ben levamos as cinzas de Bené pra se misturar
às águas de seu rio Amazonas.
Saímos de Santarém, numa lancha de um
amigo da família, atravessamos as águas azuis do rio Tapajós e cruzamos o
encontro das águas. Após cruzar o encontro, a lancha deu defeito. Ficamos à
deriva, por várias horas. Eu disse pra meu irmão: Bené está querendo nos dar
algum recado. Ele riu. Era um dia de sol inclemente. A situação era bem
perigosa. Estávamos com pouca água doce a bordo e sob um céu nu de nuvens,
portanto sem sombra alguma que pudesse nos proteger da luz espelhada
no ouro das águas barrentas do gigante Amazonas. Pra todo lado que
firmávamos a visão, só víamos água. Era um mundão de águas. Todos os horizontes
pareciam dar em abismos. Nossos olhos não alcançavam terra firme e nenhuma
ilha. Estávamos no topo do mundo. Só havia a água. Ao longe, podíamos ver as
ilhas de ninfeias chamadas mururés flutuando sobre as águas. Havia o espaço
contido no tempo e o tempo contido no espaço. Havia mil tons de verdes e de
azui, mil tons de ouro e de prata. Nesse
momento, eu e meu irmão nos abraçamos, e eu lhe disse: Mano! Estamos dentro do
verdevagomundo de Bené.
O piloto, finalmente consertou a lancha.
Mas, perdemos o furo do rio que nos levaria ao igarapé Surubiú. Esse era o
recado de Bené. Ele queria ficar no topo do mundo, no alto do rio, em sua
correnteza mais revolta, em suas águas mais fundas.
Deixamos nosso pai misturado às águas de seu rio
Amazonas.
Naquele
exato instante, das cinzas se misturando ao rio, parecia
ouvir a voz do meu pai:
Guardo-me em tuas águas.
Peço-te! Guardes, na eternidade, os sonhos
que sonhoi e os sonhos que não me deixaram sonhar.
Era uma oração.
Sua última oração.
Nossa oração, foi a voz do pai, na
voz de Miguel:
Tudo era
espaço e tempo vago. Verde e vago. Verde vagomundo. Foi aí que me perdi na pura claridade. Era paresque claridade
do verde, da água,
da noite e do silêncio. Pensei que era a morte, que eu estava morto. Pensei que eu estava bem no fundo. Mas nesse mesmo instante, nesse justo e exato
momento, foi que a água e o céu se abriram e surgiu uma praia branca.
Muito branca. Todos os verdes e todas as cores se resumiram naquela
praia. E não tinha princípio nem fim: era uma
distância. Era paresque também uma margem. Mas, uma outra margem.
Wanda Benedicto Marques Monteiro nasceu no dia 21 de março de 1958, em Alenquer, lado Oeste do Pará. Filha do também escritor Benedicto Monteiro, herdou do pai a veia poética e a voz militante, usando da literatura a extensão mais profunda de sua alma. Autora de diversos obras, entre ensaios, poemas, contos e romances, publicou recentemente o livro “A liturgia do tempo e outros silêncios”, pela Editora Patuá.
Nota: os excertos
em itálico, foram extraídos
(respectivamente) dos livros de
Benedicto Monteiro : O Precipício, o Conto; Maria de Todos os Rios; Transtempo;
Bandeira Branca: Verdevagomundo e Aquele Um;


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