dois poemas de Márcia Huber
| Miguel Chikaoka |
caminho
vou lendo a paisagem
leio os nós dos ventos
o remexer das raízes
os rastros das nuvens leio
nas montanhas
leio as alturas
me ponho no meu lugar
leio os idiomas do branco
o passado das cavernas leio
na cidade
leio as ruas
leio os passantes
a cortina de sons urbanos leio
leio o asfalto
as marcações do trânsito
leio os rostos em
movimento
leio a tristeza
leio a pressa
depois escrevo o que leio
palavra por palavra
faço isso
caminhando
em lugar nenhum
os pés se alternando da terra
o contato com o planeta é mínimo
leio os nós dos ventos
o remexer das raízes
os rastros das nuvens leio
nas montanhas
leio as alturas
me ponho no meu lugar
leio os idiomas do branco
o passado das cavernas leio
na cidade
leio as ruas
leio os passantes
a cortina de sons urbanos leio
leio o asfalto
as marcações do trânsito
leio os rostos em
movimento
leio a tristeza
leio a pressa
depois escrevo o que leio
palavra por palavra
faço isso
caminhando
em lugar nenhum
os pés se alternando da terra
| Miguel Chikaoka |
sutil
inundar tudo
perder as bordas
desmarginalizar as águas entre nós
lacrar este tempo para que nada entre
nada saia
água confusa e indecifrável
esparramando-se pelas mãos
pelos dedos
para dar folga ao anel
perder as bordas
desmarginalizar as águas entre nós
nada saia
esparramando-se pelas mãos
pelos dedos
para dar folga ao anel
Variações: revista de literatura contemporânea
XIV Edição, ano 5 - Verde-vago-mudanças: poéticas da natureza e suas urgências
Curadoria e Edição:
Bruno Pacífico e Marcos Samuel Costa
2026
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2026

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