BUFUNFA VISAGISTA! - Ana Meireles




 BUFUNFA VISAGISTA!

Ana Meireles 

    


   Bufunfa, essa palavra, diz de coisa perigosa, cresce os olhos, dá poder. Diz também de coisa boa, de coisa cuja falta é assaz ruim. Sem exceção, neste mundo onde o capitalismo reina, todos desejam ter o que ela, bufunfa, representa para quem a possui. Ah, bufunfa, desejada, sonhada a cair do céu e a proporcionar a maravilha de dar o poder de ter. Não queria crer, mas é, por causa dela, da bufunfa, que muitos se tornam gastosos excessivos, gastam até muito mais do que possuem e acabam reforçando a conhecida letra de música “ dinheiro na mão é vendaval, é vendaval…” 

Ah, bufunfa, que também é geradora de avareza, que leva muitos a se apegar, guardar, passar a ser sovina, acumular, ter lugares específicos de esconder. E desse detalhe, me vem a lembrança de uma conversa com minha mãe que trouxe à prosa estabelecida o fato real de que as pessoas no passado escondiam a bufunfa em buracos-esconderijos- que faziam no quintal. Naturalmente era no afã de que, seguramente guardado, não iria ser roubado, não iria acabar, talvez quem sabe até podia se multiplicar, multiplicar…

As relações das pessoas com a bufunfa são e continuam a ser as mais espantosas, extravagantes e muquiranas. Outro dia chamou-me atenção uma fala relativa a bufunfa de uma pessoa que era conhecida de outra: “Olha, acho melhor tu resolver logo isso, não deixar esse teu dinheiro fazer visagem”. É que a bufunfa no esconderijo estava lá, mas o dono dela podia levar o farelo e passar a fazer visagem com seu espírito eternamente vigilante de uma bufunfa enterrada. Minha primeira reação ao escutar a história foi a de rir e rir gostosamente. Não conseguia desconectar do Hilário: Como é que o dinheiro de alguém, a sua bufunfa, poderia fazer visagem? Hahaha

Fiquei pensando, pensando,…e conclui: Ah, que bom seria, e como eu gostaria, que essa visagem me espantasse aparecendo aqui em minha casita. Uuuuuuuuh! 

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